segunda-feira, 13 de abril de 2015

Sobre o passado

A história que conto pra vocês é esta que começou muito (muito!) antes de mim, embora eu prefira me atentar aos fatos dos quais pude participar.
Se a história começa comigo, é somente porque é da minha história que eu posso lembrar, que eu posso contar, que eu posso modificar e dar as caras e gostos que eu quiser  - embora seja a história de outros.
E para que vocês entendam e consigam (re)viver tudo isso junto comigo, preciso apresentar-lhes alguns personagens e contar-lhes como essa história começou:

Cerca de 65 anos atrás, quando meu [falecido] avô Telésfero, na época viúvo e pai de 5 crianças, casou-se com a minha avó Aldérica (Aldina, para os mais chegados), com quem viveu por mais de 40 anos e com quem teve mais 5 filhos.
Meus pais (à direita) se conheceram em 1989 e se casaram em 1990, quando foram morar com meus avós maternos.
Eu nasci em 1992.
Nessa foto, tirada no meu batismo, estou no colo da minha avó paterna (D. Tereza) e ao lado das irmãs do meu pai (Tia Silvia e Tia Silvana).
 
Meu avô morreu em meados de 1991, na época em que minha mãe teve um aborto espontâneo. Ela engravidou novamente em 1992, e eu nasci. Quando ela precisou voltar a trabalhar, eu fiquei sob os cuidados da vó Aldina.


Meus bisavós paternos, em 1992, realizando o sonho de ter bisnetos.
A bisa Floriza faleceu em dezembro de 1993, então infelizmente não tenho histórias dela para contar...



1993. Meu aniversário de 1 ano, na companhia da vó Aldina e da vó Tereza.

Um ano depois, meu irmão (Mateus) nasceu e começamos a dividir nosso time de  avós.
Por ser mais agitado, ele roubou a cena.
Nas fotos aqui em baixo, em 1995, ele passeando com o bi Jonas e ele ajudando a vó Aldina a "cuidar da horta".


A história continua normalmente até 1997, quando minha mãe chega em casa com a notícia de que tinha mais um filho a caminho (eu e o Mateus havíamos pedido muito pra Deus, e apostamos sobre ser menina ou menino - eu ganhei!)

Em 1998 conhecemos nosso avô paterno, o Sr. Oriel (longa história, que um dia pretendo contar aqui também)

Embora fosse legal ter um avô, a novidade mesmo era a Raquel...

  O tempo passou e nesse tempo todo a gente teve várias festas em família.
A vó Aldina gostava de reunir os filhos e netos, e não perdia nenhuma oportunidade de fazer o prático típico TORTEI (logo vou falar sobre isso também, mas, por enquanto, fiquem sabendo que é uma comida muito calórica e gostosa - coisa de italiano, sabem?!)
Já o bi Jonas, gostava de exibir os bisnetos, especialmente nas festas infantis. Nunca perdeu a oportunidade de nos comprar porcarias (para desespero da minha mãe)


Algum tempo depois, conhecemos outro bisavô, o Bi Miguel (pai do Sr. Oriel)...
Nem sei de quando são essas fotos, mas na época ele ainda tinha uma plantação e cuidava das cabras.
Hoje, aos 97 anos, ele perdeu a visão, mas ainda não aprendeu que precisa descansar.


Se tem uma coisa que nunca faltou, foi festa de aniversário. E, embora os avôs e bisavôs nem sempre estivessem presentes, não posso dizer o mesmo das vós. Ela SEMPRE estavam lá com seus bolos e docinhos.
Pra completar, a vó Aldina e o Mateus fazem aniversário no mesmo mês, com uma semana de diferença, então a festa era sempre dupla.
Aqui, uma foto de 2004 e outra de 2008.
 


Em 2000, nós saímos da casa da vó Aldina porque meus pais conseguiram a sonhada casa própria. Mas fizemos algumas reformas e ela veio morar com a gente, num quarto só dela (até então, ela dividia o quarto comigo, o que não era nem um pouco legal).

Nessa época, eu já era "grandinha" e ela dispensou os cuidados comigo pra poder fazer companhia pra Raquel.
As duas assistiam televisão juntas, a Raquel estava aprendendo a ler e lia para ela (minha avó estudou até a quarta série, há mil anos atrás, então tinha algumas dificuldades), e chegaram até a montar Lego juntas.
Até 2008, era a vó Aldina quem fazia o almoço e limpava a cozinha. Ela tinha 88 anos de idade, era forte, fazia pão com fermento de litro e fritava as sobras da massa pra eu comer durante a tarde, fazia macarrão nas quarta-feira e polenta com frango nas quintas. Reunia toda a família pra comer tortei. Obrigava meu irmão a tomar banho todos os dias, e corria atrás dele pela casa até que ele limpasse aqueles pés sujos de brincar no quintal.
Brincava e brigava com os cachorros, e terminava de lavar a louça antes mesmo de sairmos da mesa. Depois tirava a roupa do varal e passava a tarde toda cochilando assistindo tv na sala. Todos os dias, pontualmente as 16h, ela tomava seu café da tarde (pão com margarina e duas xícaras de café preto), assistia o começo da sessão da tarde, e as 17h ia tomar banho, pra depois voltar pra sala e reclamar que meus pais estavam demorando muito pra voltar do trabalho.
Era a mesma rotina todos os dias, durante quase 20 anos (lembro, novamente, que a história que conto é a minha história), até que, no começo de 2009, nós percebemos que ela começou a mudar.

2 comentários:

  1. Oi que lindo compartilhar suas lembranças...momentos tão especiais vividos com a vó...queria eu ter o privilégio de viver momentos assim com minhas avós...mais nem as conhecia. Parabéns lindona continue a ser esta neta tão especial que não deixara as memorias serem esquecidas e pelo amor tão carinhoso por sua vovó que mesmo esquecendo suas lembranças, continua sendo cuidada e amada por toda a familia...Deus a abençoe ...Bjus...Vanilda

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  2. Obrigada Vanilda! Espero que eu consiga passar um pouquinho do sentimento e das coisas que eu vivo na companhia da vó. É muito bom ter a companhia dela, ainda que tenha algumas dificuldades.
    Que Deus te abençoe também...

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